O porquê da Literatura no Ensino Médio
Até há pouco tempo nem se cogitava a pergunta “por que a Literatura no ensino
médio?”: era natural que a Literatura
constasse do currículo. A disciplina,
um dos pilares da formação burguesa
humanista, sempre gozou de status privilegiado
ante as outras, dada a tradição
letrada de uma elite que comandava os
destinos da nação. A Literatura era tão
valorizada que chegou mesmo a ser tomada
como sinal distintivo de cultura (logo, de classe social): ter passado por
Camões, Eça de Queirós, Alencar, Castro Alves, Euclides da Cunha, Rui Barbosa,
Coelho Neto e outros era demonstração de conhecimento, de cultura. É bem
verdade que muitas vezes os textos literários serviam apenas como objeto de culto;
culto do estilo, do “bem escrever” e até mesmo do exagero retórico de alguns
escritores; ou, então, apenas como suportes das análises sintáticas e morfológicas.
A Literatura era tão
valorizada que chegou
mesmo a ser tomada como
sinal distintivo de cultura De qualquer modo, o domínio da Literatura era inquestionável.
Num piscar de olhos, porém, as mudanças impuseram-se: o rápido desenvolvimento das técnicas, a determinação do mercado, da mídia e o centramento no indivíduo (em detrimento do coletivo) provocaram a derrubada dos valores, um a um, enquanto outros foram erigidos para logo mais tombarem por terra. Hoje assistimos à exacerbação de todos esses axiomas (o mercado, a efi ciência técnica e o foco no indivíduo), sobre os quais a modernidade se sustentava, confi gurando assim “os tempos hipermodernos”, isto é, uma “modernidade elevada à potência superlativa”, caracterizada pela “cultura do mais rápido e sempre mais”, segundo Lipovetsky (2004, p. 51-57).
Imersos nesses tempos, mais do que nunca se faz necessária a pergunta: por que ainda a Literatura no currículo do ensino médio se seu estudo não incide diretamente sobre nenhum dos postulados desse mundo hipermoderno?
Boa parte da resposta pode ser encontrada talvez no próprio conceito de Literatura tal como o utilizamos até aqui, isto é, em seu sentido mais restrito. Embora se possa considerar, lato sensu, tudo o que é escrito como Literatura (ouvese falar em literatura médica, literatura científi ca, etc.), para discutir o currículo do ensino médio tomaremos a Literatura em seu stricto sensu: como arte que se constrói com palavras.
- Trecho de Orientações Curriculares para o Ensino Médio disponível neste link.
Num piscar de olhos, porém, as mudanças impuseram-se: o rápido desenvolvimento das técnicas, a determinação do mercado, da mídia e o centramento no indivíduo (em detrimento do coletivo) provocaram a derrubada dos valores, um a um, enquanto outros foram erigidos para logo mais tombarem por terra. Hoje assistimos à exacerbação de todos esses axiomas (o mercado, a efi ciência técnica e o foco no indivíduo), sobre os quais a modernidade se sustentava, confi gurando assim “os tempos hipermodernos”, isto é, uma “modernidade elevada à potência superlativa”, caracterizada pela “cultura do mais rápido e sempre mais”, segundo Lipovetsky (2004, p. 51-57).
Imersos nesses tempos, mais do que nunca se faz necessária a pergunta: por que ainda a Literatura no currículo do ensino médio se seu estudo não incide diretamente sobre nenhum dos postulados desse mundo hipermoderno?
Boa parte da resposta pode ser encontrada talvez no próprio conceito de Literatura tal como o utilizamos até aqui, isto é, em seu sentido mais restrito. Embora se possa considerar, lato sensu, tudo o que é escrito como Literatura (ouvese falar em literatura médica, literatura científi ca, etc.), para discutir o currículo do ensino médio tomaremos a Literatura em seu stricto sensu: como arte que se constrói com palavras.
- Trecho de Orientações Curriculares para o Ensino Médio disponível neste link.
Ué? Nem chegaram ao conceito... Mas deixaram o link. Tá valendo.
ResponderExcluirMuito legal.
Interessante é que, nada mudou de alguns séculos pra cá. Literatura era algo exclusivo da Burguesia, e hoje em dia uma educação de qualidade é algo exclusivo da classe alta. Funciona como um ciclo, tudo retorna ao ponto de partida ;)
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